Eu chorava. As lágrimas pesavam ao despencarem dos meus olhos. O pulsar de meu coração tornou-se intensamente explosivo quando seu olhar mostrava-se pronto para expor a verdade – aquela que talvez não pudesse aceitar jamais.
Sentia dificuldade para levar aos pulmões o ar que me faltava; os suspiros eram carregados de medo e insegurança.
O peso de meu corpo parecia ter bruscamente aumentado, elevando-se com a mesma proporção de minha ânsia, minha abstinência de você. Um ímã em meu interior insistia em não funcionar, mesmo quando minha alma clamava pela sua no momento em que pensava você em recuar para ainda mais distante de mim.
O mar de lágrimas que se formara antes, deu lugar a um oceano, onde as águas não davam pés. E estas, mornas, percorriam lentamente minha face ruborizada, até que alcançaram meus lábios, fazendo-me lembrar do quão salgado e desgostoso é o sabor da decepção.
E então você se despediu, obstinada. Ninguém que te fizesse parar. Ninguém que pudesse me salvar.
Existe algo tão mais doloroso do que um adeus nunca idealizado, nunca desejado?
Penso agora que não gostaria de sentir, preferiria não sentir, ao invés de ter que suportar algo que estivesse, todo o tempo, me matando por dentro.
Era sentir, ou sentir. Não tinha opção.
Esse é o preço que se paga, por amar e não ser compreendido.

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