E então estávamos nós três, finalmente, frente a frente. Já não era tempo! Estava prestes a saber a verdade, vindo da boca de Lana, eu presumia.
- Vamos, Lana, diga a ele que você não o ama. – Daniel pressionava-a contra mim.
- Não me ama? O que está dizendo, seu canalha? - “Lana, vamos, diga a este imbecil que ele está enganado. Mostre a ele o porque de termos nos casado. Vamos, minha querida, diga alguma coisa.”, pensei comigo, esperando que ela me fizesse o favor de acabar com aquela tortura.
- Não se iluda, meu caro, ela já fez sua escolha. De nada adiantará agora. Acredite se quiser acreditar.
- Lana jamais decidiria alguma coisa sem antes me consultar. Não é verdade, minha querida? – disse. “Não. Ela não faria nada sem me dizer... Ela não faria isso comigo.”
- Pois acho que desta vez ela passou por cima dos princípios do casal e fez. – ele provocava, dissimulado.
Fitei Lana nos olhos, como que implorando para que ela dissesse algo. Ela manteve o silêncio.
- Saia de nossas vidas, seu miserável! Saia antes que eu tenha de lhe expulsar embaixo de tiros! – avancei impetuosamente sobre Daniel. Ele aproximou-se com a mesma velocidade e tentou me atingir com o punho.
- Não! – Lana nos impediu, precisa. – Já chega, vocês dois! – ela se pôs dessa vez entre nós. Diminuiu o tom de sua voz e continuou, dirigindo-se a mim: - John, querido... – seus olhos me fitavam a alma.
- Isso, Lana, acabe com isso de uma vez. Diga a esse paspalho que você foi muito mais feliz comigo e que agora... me escolheu.
Debati-me raivosamente. – Que diabos ele está dizendo, Lana?
Ela chorava. Seus olhos transmitiam uma promiscuidade intolerante, não me davam a certeza que eu precisava. Fitei-a sem esperança alguma, certo de que não teria chance alguma contra Daniel. Foi quando ela confessou: - John... ouça... Daniel e eu... nos deitamos nos últimos dias... – e escondeu a face entre as mãos.
- Não... Impossível... Não pode ser... – fitei-a com uma expressão de completa perplexidade, enquanto Daniel parecia estar comemorando por dentro. – Como pôde, Lana? – eu estava consternado. – Como teve a coragem de fazer isso comigo?
- Da mesma forma que ela está tendo coragem de descartar um ser tão inútil como você. O que ela já havia de ter feito há muito tempo. – Daniel continuou, implacável.
- Acha que me atinge com estas suas palavras petulantemente nocivas, teu imundo? Se for isso que está pensando, desista.
- Pobre coitado... – ele riu, ironicamente debochado. – Não sabe o fim que lhe aguarda, John.
- Você deve ter batido fortemente com a cabeça para pensar que Lana o escolheria. Poupe-me de suas piadinhas insanas, seu imprestável. – Fitei Lana do outro lado da sala. – Vamos, querida... Me diga alguma coisa.
- John... eu já lhe disse...
- Ela me quer, John! Será que você não vê isso? – Daniel insistiu.
- Ora, quanta hostilidade! – o avancei, impetuoso, e com o punho esquerdo acertei-lhe o nariz. Não permiti que ele se levantasse, logo dispersei um chute a altura de seu ombro, inclinando-me para golpeá-lo finalmente... Mas algo me impediu. Espere... O que? Virei para Lana. Baixando o olhar a altura de meu peito tocando no borrão vermelho que havia em minha camisa. Fitei-a, incrédulo e, quase que, sem poder controlar, caí-me de joelhos de fronte para a mulher que segurava entre os dedos a arma que eu carregava na cintura.
Ela me olhou incalculavelmente fria e baixou-se diante de mim.
- John, querido... Me perdoe... eu o amo, sempre o amei... E não poderia permitir que você continuasse em meu caminho.
Lana trouxe sua mão até meu rosto e, aproveitando do resto de equilíbrio que ainda me mantinha ajoelhado, empurrou-me, o que provocou um baque com o impacto no chão.
Não tinha mais forças para falar. Observava-a apenas.
- Lana, não vá, eu te amo... – repetia-me em pensamentos. – Lana! Por favor! – dizia-lhe silenciosamente enquanto lágrimas beiravam os meus olhos.
- Lana... – sussurrei.
- Adeus, John.
Lana se afastou, até que meus olhos não puderam acompanhá-la mais. Sentia-me incapacitado de me mover. Debatia-me descontroladamente por dentro e da maneira mais lenta e dolorosa já sentida antes, a falta de ar me levando... me levando... até a profundidade mais escura e apavorante da inconsciência, da vida que inescrupulosamente me estava sendo tirada.

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