O começo de tudo.

No início... Bem no início de minha caminhada, me fora apresentada uma tal de leitura. Me enrolei em seus sentidos, e debruçada diante de todas as brilhantes maravilhas que me proporcionava, eu me mantive. Quando senti, longinquamente o consciente exigir mais, me ergui e me pus a desbravar um mundo de curiosidades. Tropecei em uma técnica de expressão chamada escrita. Desde então, passei a aderi-la.
Foi quando decidi, obstinadamente, que esta deveria ser o meu refúgio particular. E de lá para cá, confesso, venho realizando descobertas inimagináveis. A prática contínua da escrita, me fez adentrar e conhecer mundos dos mais variados tipos que existem. Só então percebi que não se pode limitar a imaginação. É tudo muito maior do que se parece. E abusando disto que chamo de dom, cheguei à seguinte conclusão: Ler, não é somente adquirir conhecimento; Escrever, é mais do que dar rumo ou designar acontecimentos, é possuir o controle do mundo e ter o poder de fazer deste, o que quiser.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cúmplices até a morte


E então estávamos nós três, finalmente, frente a frente. Já não era tempo! Estava prestes a saber a verdade, vindo da boca de Lana, eu presumia.

- Vamos, Lana, diga a ele que você não o ama. – Daniel pressionava-a contra mim.

- Não me ama? O que está dizendo, seu canalha? - “Lana, vamos, diga a este imbecil que ele está enganado. Mostre a ele o porque de termos nos casado. Vamos, minha querida, diga alguma coisa.”, pensei comigo, esperando que ela me fizesse o favor de acabar com aquela tortura.

- Não se iluda, meu caro, ela já fez sua escolha. De nada adiantará agora. Acredite se quiser acreditar.

- Lana jamais decidiria alguma coisa sem antes me consultar. Não é verdade, minha querida? – disse. “Não. Ela não faria nada sem me dizer... Ela não faria isso comigo.

- Pois acho que desta vez ela passou por cima dos princípios do casal e fez. – ele provocava, dissimulado.

Fitei Lana nos olhos, como que implorando para que ela dissesse algo. Ela manteve o silêncio.

- Saia de nossas vidas, seu miserável! Saia antes que eu tenha de lhe expulsar embaixo de tiros! – avancei impetuosamente sobre Daniel. Ele aproximou-se com a mesma velocidade e tentou me atingir com o punho.

- Não! – Lana nos impediu, precisa. – Já chega, vocês dois! – ela se pôs dessa vez entre nós. Diminuiu o tom de sua voz e continuou, dirigindo-se a mim: - John, querido... – seus olhos me fitavam a alma.

- Isso, Lana, acabe com isso de uma vez. Diga a esse paspalho que você foi muito mais feliz comigo e que agora... me escolheu.

Debati-me raivosamente. – Que diabos ele está dizendo, Lana?

Ela chorava. Seus olhos transmitiam uma promiscuidade intolerante, não me davam a certeza que eu precisava. Fitei-a sem esperança alguma, certo de que não teria chance alguma contra Daniel. Foi quando ela confessou: - John... ouça... Daniel e eu... nos deitamos  nos últimos dias... – e escondeu a face entre as mãos.

- Não... Impossível... Não pode ser... –  fitei-a com uma expressão de completa perplexidade, enquanto Daniel parecia estar comemorando por dentro. – Como pôde, Lana? – eu estava consternado. – Como teve a coragem de fazer isso comigo?

- Da mesma forma que ela está tendo coragem de descartar um ser tão inútil como você. O que ela já havia de ter feito há muito tempo. – Daniel continuou, implacável.

- Acha que me atinge com estas suas palavras petulantemente nocivas, teu imundo? Se for isso que está pensando, desista.

- Pobre coitado... – ele riu, ironicamente debochado. – Não sabe o fim que lhe aguarda, John.

- Você deve ter batido fortemente com a cabeça para pensar que Lana o escolheria. Poupe-me de suas piadinhas insanas, seu imprestável.  – Fitei Lana do outro lado da sala. – Vamos, querida... Me diga alguma coisa.

- John... eu já lhe disse...

- Ela me quer, John! Será que você não vê isso? – Daniel insistiu.

- Ora, quanta hostilidade! – o avancei, impetuoso, e com o punho esquerdo acertei-lhe o nariz. Não permiti que ele se levantasse, logo dispersei um chute a altura de seu ombro, inclinando-me para golpeá-lo finalmente... Mas algo me impediu. Espere... O que? Virei para Lana. Baixando o olhar a altura de meu peito tocando no borrão vermelho que havia em minha camisa. Fitei-a, incrédulo e, quase que, sem poder controlar, caí-me de joelhos de fronte para a mulher que segurava entre os dedos a arma que eu carregava na cintura.
Ela me olhou incalculavelmente fria e baixou-se diante de mim.

- John, querido... Me perdoe... eu o amo, sempre o amei... E não poderia permitir que você continuasse em meu caminho.

Lana trouxe sua mão até meu rosto e, aproveitando do resto de equilíbrio que ainda me mantinha ajoelhado, empurrou-me, o que provocou um baque com o impacto no chão.
Não tinha mais forças para falar. Observava-a apenas.

- Lana, não vá, eu te amo... – repetia-me em pensamentos. – Lana! Por favor! – dizia-lhe silenciosamente enquanto lágrimas beiravam os meus olhos.

- Lana... – sussurrei.

- Adeus, John.

Lana se afastou, até que meus olhos não puderam acompanhá-la mais. Sentia-me incapacitado de me mover. Debatia-me descontroladamente por dentro e da maneira mais lenta e dolorosa já sentida antes, a falta de ar me levando... me levando... até a profundidade mais escura e apavorante da inconsciência, da vida que inescrupulosamente me estava sendo tirada.

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